terça-feira, 7 de setembro de 2010

FUNK DO PROST

FUNK DO PROST


É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost! É o Prost!

Foi o melhor piloto da década de 80

Ouvir essa afirmação nenhum brasileiro aguenta


O arquirival de Senna, segundo dizia a imprensa

era um homem arrogante e turrão

Aqui em nosso país ganhou até Troféu Limão!


De origem armênia, lançou-se ao estrelato

Em 80 na Argentina

Ele era bom de fato


A mãe não queria que futebol jogasse

Tinha medo de que Prost feio se machucasse


Entrou no automobilismo de corpo e alma

Agitado na infância, nas pistas tinha calma


Levou logo a fama de piloto cerebral

Junto com Platini, era o orgulho nacional


Na Fórmula 1, se tornou o astro a ser batido

Ayrton Senna desafiou-o e seu ego foi ferido


Em 84, no GP de Mônaco, provocou muita polêmica

Senna ultrapassou o francês: rivalidade endêmica


A temporada de 84 terminou como um belo conto

Lauda bateu Prost por apenas meio ponto


Prost de chuva tinha medo

Aprendeu isso desde cedo

O ano de 85 ficará em nossa memória

houve a morte de Tancredo

mas Senna obteve sua primeira vitória


A bomba estourou em Estoril

atentado em Portugal?

Não! Prost rodou na pista molhada

para a alegria do Brasil

o entusiasmo foi geral

a massa ficou embriagada


Em 89, no final do Campeonato, o brasileiro não levou

Jean-Marie Balestre, responsável pela FIA

o circo contra Senna armou


Na temporada de 90, Grande Prêmio de Suzuka

Senna ganha o Mundial

e Alain Prost assim cutuca


Em 91, tricampeonato de Ayrton Senna

para desespero de Prost

história de superação plena


Em 92, Prost abandonou as pistas

para o total espanto

de vários jornalistas


Qual foi o resultado?

Deu Nigel Mansell na cabeça

como era esperado

O Leão tudo arremessa


Foi em 93 que Alain Prost retornou

o tetracampeonato em grande estilo conquistou


Mas no ano seguinte, eis a enorme surpresa

o francês se aposentou

e Senna disse que beleza!

Na Curva Tamburello

a morte encontrou

Espetacular duelo

com o jovem alemão

Michael Schumacher

uma estrela em ascensão


Quando Senna enfim morreu

se encerrou a romântica era

Seu rival se comoveu

o Professor de luto espera


85 86 89 93

como é gostoso ser francês!

Com Prost nas pistas

ninguém tinha vez!

Rio de Janeiro, 13/05/2010.









AYRTON: UM NOME DE TERCEIRA?

AYRTON: UM NOME DE TERCEIRA?


Um casal de jornalistas esportivos estava num bar à noite relembrando animadamente os melhores momentos de Ayrton Senna na Fórmula 1, até que apareceu bem perto de ambos uma bela jovem francesa que, ouvindo toda a conversa, lhes perguntou sem malícia:

- O Ayrton é de terceira, né?

O homem, desconfiando de que a jovem francesa pudesse ser uma ardorosa fã de Alain Prost, o maior rival do piloto brasileiro morto em 1994, disparou irritado:

- Escute, sua prostista fanática, como assim Ayrton é um nome de terceira? Fique sabendo que o nosso maior herói será sempre de primeira!

- Aí é que você se engana, meu caro! Consultando o meu pequeno dicionário, vi que Ayrton, na verdade, é realmente de terceira... declinação: Ayrton, Ayrtonis. Este é genitivo singular e aquele nominativo singular.

- Que quer dizer?

- Muito simples. Eu estudo Latim.

O casal não entendeu nada do que a francesa lhes explicou, tendo ficado boquiabertos após esta deixar o bar.





O TROTE DE PRIMEIRO DE MAIO

O TROTE DE PRIMEIRO DE MAIO


“Todos sabem que Primeiro de Abril é o Dia da Mentira, mas nesse instante o Trote de Primeiro de Maio inventei, pois um dos maiores ídolos do esporte em um poderoso deus transformei!”

YTORAN NASEN

SENHOR DA CHUVA

EM PRIMEIRO DE MAIO, TEVE MORTE GLORIOSA

A NAÇÃO AINDA CHORA VIÚVA

EXTREMAMENTE PERFECCIONISTA, POSSUIU VIDA MUITO HONROSA

E NIAL’A T’SORP foi o seu maior rival

Duelaram forte e bem forte

Para eles, lhes era sempre lançada a sorte

Entre YTORAN NASEN e NIAL’A T’SORP

toda mágoa aos poucos cessara afinal!

THE CONTRADICTION

THE CONTRADICTION


In a certain day, in my silver heart, actually in a little relic, I mean

I mixed Prost with Senna, the former McLaren dream team


Nobody no longer can keep them apart

They were great rivals, that’s right

Naturally created by God to fight

Prost and Senna made the fast lane an art

What more shall I say?

I prefer the Frank knight anyway!


Before Alain, the Professor of the Track

I must always prostrate

Even if I’m under attack

But in fact I’m also a fan of his best teammate


How can I solve this contradiction?

I wish I could deal with this distinction


I just let it be

What does it mean to me?

I just accelerate

victory over victory celebrate

and always start in pole position

Everyday I fight the good fight

I have a Mongol soul

this is my condition
























DOMINUS PLUVIAE (LUDUS AYRTONIS)

DOMINUS PLUVIAE


LUDUS AYRTONIS

Hodie est Kalendis Maii. Populus brasiliensis celebrat diem Sancti Ayrtonis, Domini Pluviae. Historia Sennae magnifica est quia noster heros nativus pugnas amabat et multas victorias habuit.Inimici habilitates Sennae cognoscebant et idcirco Dominum Pluviae timebant.Saepe Sennam difficilis vincere erat! Rex Francorum habilitatem Domini Pluviae timebat.Prudens erat, sed non britannus Nigel, cognominatus Leo Viarum quia inimicos in viabus non timebat. Senna amicum viennensis habebat et amabat et multas victorias celebrabant.Ayrton, idolum populi, gloriosus fuit.Idcirco, in nostris animis aeternum regnabit!Nunc Dominus Pluviae in caelis semper accelerat et vincit!Sed Alain semper retardatus erit!Magister Alain prostratus permanansit.Rex Solis et Dominus Pluviae: antici rivales aeternum pugnabunt sicut in caelo et in terra.

TREVAS E LUZ

PRINCIPADO DE MÔNACO, 1299


No século XIII, o Feudalismo já agonizava, dando lugar a uma economia mais dinâmica e a Igreja cada vez mais perseguia os infiéis. Seitas heréticas pululavam em toda a Europa. São João de Acre, o último reduto cristão, caiu nas mãos dos muçulmanos em 1291. A Ordem dos Templários foi aos poucos perdendo a sua importância e não havia mais motivos para se fazer as Cruzadas.
No Principado de Mônaco (desde o século X governado pelos Grimaldi), no ano de 1299, viviam Nikolaus, conhecido como o “Filósofo Voador” por causa de sua extrema agilidade nas batalhas e seu maior discípulo Alain. Quando Nikolaus falava, todos os seus discípulos o ouviam com atenção. Ele era um poderoso feiticeiro que se refugiou com seus seguidores em Mônaco devido às perseguições da Igreja. Esta o considerava perigoso para a juventude, assim como era Sócrates na Grécia Antiga, que, entre outras coisas, questionou a existência dos deuses.
Em 1 de agosto de 1276, Nikolaus sofreu um grave acidente que quase lhe tirou a vida. Sua face ficou deformada, mas seu coração permaneceu puro, enquanto que seu maior discípulo Alain era um criador de casos e tornou-se um homem arrogante com o passar dos anos. Ele se desentendeu com quase todos em Mônaco, à exceção de Nikolaus, a quem respeitava profundamente, não ousando contestar os seus ensinamentos em nenhum instante. Por causa de seu temperamento, Alain era odiado pelos outros seguidores de Nikolaus, principalmente pelo impetuoso inglês Nigel.

O RETORNO

Nikolaus tinha uma mulher entre os seus seguidores: a formosa jovem Alison Francis, nascida em Oxford, que ele ajudou a criar como uma filha, pois ela fora abandonada pelos verdadeiros pais assim que nasceu. Foi trazida para Mônaco, onde viveu até os treze anos. Depois, viveu em Oxford criada por um velho amigo de Nikolaus, até que este foi morto por salteadores. Vendo-se sozinha e sem recursos, ela voltou para Mônaco. Thierry, um de seus seguidores, sabendo da volta de Alison, contou a notícia logo a Nikolaus:

- Filósofo Voador! Recebi a notícia de que sua filha adotiva está de volta a Mônaco!

-Faz muito tempo que não vejo essa menina. Como ela estará agora? – perguntou Nikolaus curioso.

HORAS DEPOIS ...

Alison vai visitar Nikolaus e sua mulher Malena.

- Há muito tempo não nos vemos! Você está belíssima, filha querida! – exclamou o Filósofo Voador.

- E você até que não ficou tão feio depois daquele lamentável acidente no torneio!

Nesse momento, Alison beija Nikolaus na face direita e o abraça bem forte. Malena, que tinha intuição muito apurada, diz-lhe:

- Acho que você não mudou nada!

- Em que sentido, querida mãe? – desconfiou Alison.

- Em todos os sentidos, entendeu agora? E eu não sou sua mãe!

Alison deu de ombros e disfarçou.

- Você e Nikolaus têm jogado muito xadrez? – perguntou ela.

- Frequentemente! – disse a mulher do Filósofo Voador.

- Pois eu me aprimorei e a desafio a um duelo! – empolgou-se Alison.

Alison e Malena retiraram-se para uma sala mais distante da casa de Nikolaus.

NO DIA SEGUINTE ...

Alison faz vinte e cinco anos e Nikolaus estava preparando uma festa surpresa para a filha adotiva. Malena não ficou contente com a volta de Alison a Mônaco. Como uma mãe experiente, conhecia o coração da jovem e procurou alertar Nikolaus. Alison ainda estava dormindo, embora já fosse quase meio-dia. Aproveitando esta oportunidade, Malena conversa com o marido em particular:

- Desconfio das intenções de Alison. Ela me parece muito dissimulada.

- Está colocando em prática a sua intuição feminina? – brincou o Filósofo Voador.

- Nikolaus, sinto que Alison não mudou nada depois de todos esses anos. Talvez não mude nunca!

- Não acha que está sendo severa demais com nossa filha?

- Na primeira oportunidade, voltou a Mônaco. Acho que deveria ter permanecido na Inglaterra e se casado. Ela já tem vinte e cinco anos!

Alison finalmente acordou e saiu de seu quarto. Ela logo se depara com Nikolaus perto da porta.

- Parabéns, filha amada!

- Você é amável como sempre, Nikolaus! – empolgou-se Alison.

- Venha! Vou apresentá-la a meus amigos.

Antes que Nikolaus pronunciasse uma palavra, um de seus seguidores se antecipa a ele, beijando as mãos da jovem:

- Encantado, Lady Alison! Sou Nigel!

- Você é muito espontâneo. E é inglês como eu!

- Ah, sim!

No salão principal, Alison ouve a música dos menestréis. Ela diz ao arrojado cavaleiro:

- Aquele seu amigo é muito atraente e parece ser uma pessoa alegre. Quem é ele?

- Jean!

- Pois vou tirá-lo para dançar comigo. Com licença, Nigel!

Alison aproxima-se do jovem Jean.

- Você deve ser Lady Alison!

- Sim! Nikolaus caprichou na festa surpresa! A música é realmente maravilhosa! Quer dançar comigo?

- Você é muito espontânea. Gosto de mulheres assim. Claro, vamos lá!

Enquanto Alison e Jean davam um show de dança no meio do salão, surge de repente parado no portão um cavaleiro de roupa negra. É Alain, o maior discípulo de Nikolaus. Alison olhou para ele disfarçadamente e continuou dançando com Jean.
Alain vê a jovem e aproxima-se de Nikolaus nervoso, embora não o demonstrasse. Ele diz para si mesmo: “Nikolaus criou uma cobra para mordê-lo!”
Alison não parecia surpresa com a chegada de Alain à casa de Nikolaus. Pelo contrário, parecia que estava à sua espera há muito tempo. Alain sempre foi o discípulo mais enigmático de Nikolaus. Ele era um homem muito sinistro e arrogante que tinha por confidente o próprio Nikolaus, enquanto que de todos os outros procurava manter distância.
Por ser enigmático e sempre se vestir de preto, o povo de Mônaco começou a dizer que, por onde Alain passasse, algo ruim iria acontecer. Ele, em vez de tentar se aproximar das pessoas, cada vez se afastava mais. Só Nikolaus o compreendia. Uma vez, passando por um grupo de pessoas à noite, fez com que elas se desentendessem por causa de um anel de ouro e pedras preciosas que aparecera misteriosamente no chão enquanto conversavam. Em outra ocasião, Alain passou por uma casa e ela começou a pegar fogo de repente e ninguém sabia explicar a razão. Todos os quatro moradores, um casal e dois filhos pequenos, morreram queimados. Alain já tinha má fama em Mônaco por ser herege e adepto de práticas mágicas. A situação piorou quando ele passou a representar mau agouro.

- Lá vem o Gato Preto! Ele é agente do Demônio! – disse um velho à sua esposa e filhos.

- Fechem as portas e as janelas porque esse homem dá azar! – disse outro.

Um grupo de pessoas ia passando pela estrada e vê o cavaleiro francês.

- Ei, aquele ali não é o Gato Preto? Vamos acabar com ele agora!

Uma grande multidão juntou-se para dar uma surra em Alain e ele não sabia o que fazer. Só lhe restava uma alternativa: fugir sem demora. Alison pressente o perigo. “Alain está com problemas! Conheço uma pessoa que não se recusaria a ajudá-lo. Preciso chamá-lo o quanto antes!”
Minutos depois, enquanto o francês estava fugindo da multidão enfurecida, de repente esbarra num estranho homem todo coberto da cabeça aos pés. Ele diz:

- Por aqui, Alain!

- Quem é você? Sua voz me parece muito familiar!

- Não temos tempo a perder! Pode largar na frente! Dessa vez eu lhe cedo a ultrapassagem! Vamos acelerar e esqueça a cautela nessas horas!

- Leve-me à casa de meu amigo Nikolaus! – falou Alain amedrontado.

- Mas para onde pensa que estamos indo afinal? – disse o estranho homem.

Finalmente Alain chega à casa de Nikolaus cansado e abatido. Quando ele olhou para trás, percebeu que o estranho que o ajudou havia desaparecido. “Para onde ele foi? Será que tive uma visão?” – pensou ele.

- Nikolaus, estou com problemas. Estão me chamando de Gato Preto e agente de Satanás!

- Já sei de tudo, Alain! Você precisa mudar o seu coração o quanto antes! Assim, o povo não vai mais incomodá-lo!

- Você está certo, Nikolaus. Quero deixar de ser egoísta e arrogante e me aproximar mais das pessoas. Talvez seja por isso que dou azar a todo mundo!

Enquanto isso, seus companheiros ouviam a conversa escondidos.

- Mas o que é isso, pessoal? O Alain quer ser bonzinho? Ah, ah, ah ...! – Nigel chorou de tanto rir.

- É mais fácil um rico entrar no Reino do Céu do que Alain se tornar virtuoso! – disse Rosenberg em tom de brincadeira.

- Você acertou em cheio, Rosenberg! – falou Michele.

Pela primeira vez, Alain estava realmente disposto a mudar. Alison havia ouvido a conversa de longe, sem que ninguém a visse.

Quando ele se retira da sala despedindo-se de Nikolaus, a jovem Alison aparece na sua frente:

- Há quanto tempo, Alain!

- Saia da minha frente, sua bruxa!

- Então você está disposto a mudar! Pode enganar a Nikolaus mas a mim não engana de jeito nenhum! Embora eu o ame, preciso admitir que você morrerá egoísta e arrogante!

- Sua volta a Mônaco foi planejada, não é, Alison? Você veio atrás de mim para se vingar e tomar o meu lugar na comunidade!

- Eu até hoje não me conformei em ter sido trocada pela mulher daquele tolo do Jacques! Por que, Alain? Olhe para mim, eu ainda o amo!

- Nós somos iguais, Alison! Por isso não podia dar certo, entende?

- Eu ainda o amo!

Nesse momento, Alison agarra Alain à força e este a afasta para longe.

- Eu não quero mais nada com você!

- Amanhã, vou dizer a todos que foi você quem me agarrou à força! Vou desmoralizá-lo diante de Nikolaus!

Alison não contava que alguém a estivesse observando de longe. Ela não soube da presença misteriosa.

AMANHECE EM MÔNACO

- Alison, o que aconteceu? Você parece amedrontada! Abra-se comigo! – disse Nikolaus.

- É sobre o seu melhor discípulo.

- O Alain? Mas o que ele fez?

Alison finge estar com medo e abraça Nikolaus.

- Ontem à noite ele tentou me agarrar à força!

- Isso não pode ficar assim! Vou falar com ele já!

MINUTOS DEPOIS ...

- Eu fiz de você o meu maior discípulo e veja o que aconteceu!

- Não foi bem assim, Nikolaus! Você devia conhecer melhor sua filha! Ela não é tão virtuosa como pensa!

- Além de egoísta e arrogante, você agora abusa de mulheres também!

- Você alimentou uma cobra para mordê-lo e suponho que Malena saiba disso muito bem!

Nikolaus, enraivecido, ameaça levantar as mãos para Alain.

- Não fale assim de minha filha! Você está expulso de nossa comunidade! Agora saia daqui!

No corredor que dá para a sala principal, os outros discípulos ouvem tudo.

- Gente, parece que o Alain aprontou mais uma e acho que Nikolaus vai expulsá-lo da comunidade! – falou Derek.

- Quem ocupará o lugar do todo-poderoso agora? – perguntou Patrick.

Embora fosse um heresiarca e adepto de práticas mágicas, Nikolaus fundou uma pequena comunidade (a Seita dos Nikolaístas) que, na verdade, mais parecia uma ordem religiosa com suas regras próprias, e uma das principais é defender e respeitar as mulheres acima de tudo. Mulheres podiam ser admitidas na Seita dos Nikolaístas e a seus seguidores era permitido acumular bens.

Alain saiu da casa de Nikolaus de cabeça baixa e debaixo das gozações de seus companheiros. Ele perdera o seu melhor amigo, o único com quem se abria de fato.

A alguns metros da casa de Nikolaus, ele se deparou com uma estranha mulher totalmente coberta da cabeça aos pés que dizia predizer o futuro. Ela lhe diz com voz sensual, segurando-lhe os ombros:

- Eu sei tudo sobre você, Gato Preto! Quer quebrar o seu orgulho e deixar de ser agourento? A profecia diz que um misterioso cavaleiro vindo de uma terra desconhecida o derrotará em dia de chuva! Então você será curado para sempre! Você tem que deixar o cavaleiro ultrapassá-lo, digo, vencê-lo!

- Quem é esse cavaleiro misterioso?

- Não posso lhe revelar mais nada! – falou a mulher.

Alain partiu para sua casa num lugar mais distante de Mônaco pensando no tal cavaleiro misterioso. Ele, como ninguém, conhecia o verdadeiro caráter de Alison, embora ela ainda o amasse.
Durante sua curta permanência na Inglaterra, eles tiveram um romance, mas Alain depois descobriu que a jovem Alison também era uma nikolaísta em segredo e passou a abusar de seus poderes. Ele a trocou pela mulher de seu melhor amigo na ocasião, Jacques e Alison não se conformou, retornando a Mônaco para lhe dar uma lição sem que Nikolaus soubesse. Ela desenvolveu o poder de se comunicar com os mortos sem o pai adotivo saber. Na verdade, Alison queria tomar o lugar de seu ex-amante porque existia uma hierarquia entre os nikolaístas e Alain era o discípulo que gozava de maiores regalias. Alison diz ao pai adotivo:

- Graças a você, aos poucos fui desenvolvendo os meus poderes com bastante habilidade. Não sei o que você viu naquele egoísta do Alain! Quem sabe uma mulher no comando dos nikolaístas não seria melhor?

-Então você veio a Mônaco para ocupar o lugar de Alain! Eu devia tê-lo escutado!

De repente, Malena entra no quarto de Nikolaus, para surpresa de Alison.

- Minha intuição não falhou! Foi nossa filha adotiva quem agarrou Alain à força e não o contrário! Eles foram amantes no passado! Ela queria ser a primeira discípula da Seita! Eu vi tudo o que aconteceu naquela noite!

- Eu só queria mudar o coração duro de Alain! – defendeu-se Alison.

- Se você realmente o amasse, não iria querer assumir o seu lugar! Terá o castigo que merece! Você queria ocupar a dianteira, não é mesmo? Pois será rebaixada à simples condição de retardatária da Seita dos Nikolaístas!

Nikolaus chama Nigel.

- Nigel, diga a Alain que o quero de volta imediatamente!

-O quê? Chamar aquele baixinho, narigudo e arrogante de volta agora que nos livramos dele? Eu já o aturei bastante! Chega!

- Quer que eu lhe lance uma sugestão hipnótica? Acelere, Nigel!

- Você deveria dizer isso para uma certa pessoa que infelizmente não está mais entre nós!

- Cuidado para não atropelar alguém pelo caminho com sua afobação! – brincou Nikolaus.

- Estou acelerando, mestre!

Alain estava para voltar à casa de Nikolaus e Alison precisava agir. Num lugar mais ermo, começou a falar uma língua estranha e um misterioso cavaleiro apareceu na sua frente.

-Alain está para chegar. Surpreenda-o!

- Pode deixar comigo! – disse o cavaleiro.

SEGUNDOS DEPOIS ...

- Ora, ora, se não é o meu velho amigo Alain!

- Quem é você afinal?

O misterioso cavaleiro tira o elmo, deixando o francês atônito.

- Adayrton, seu maior rival!

- Não, não pode ser! Você deve ser um impostor ou isso é algum tipo de feitiçaria! Adayrton morreu num acidente em um torneio de cavalaria há cinco anos e eu fui a seu funeral! Agora me deixe passar, seu idiota!

- Você não quer deixar de ser o Gato Preto e se tornar um Guerreiro da Luz como eu? Tem que me enfrentar para quebrar tudo de ruim que existe dentro de você!

- Então você é o cavaleiro de quem a estranha vidente me falou! Adayrton ou quem quer que seja, estou disposto a ultrapassá-lo!

Adayrton e Alain desembainharam as espadas e começaram a duelar como nos velhos tempos em que eram grandes rivais. Aquele tirou o disfarce e estava vestido de verde-e-amarelo da cabeça aos pés. Começou a juntar uma enorme multidão em torno deles. Uns espalham para os outros:

- Adayrton não morreu! Adayrton não morreu! Venham ver com os seus próprios olhos!

- Está vendo, Alain? O povo quer espetáculo! Vamos lhes dar o que merecem!

- Você é mesmo o Adayrton! Agora vejo tudo com clareza! Por que voltou? Será que nem depois de morto me dá sossego?

E o duelo continuava até que, de repente, começou a chover forte em Mônaco. Finalmente Nikolaus e seus seguidores se juntam à multidão.

- Vamos admitir, você sempre foi um rival à altura! Eu detesto chuva, mas não me vencerá nessa, pois vou resistir em cada curva e em cada reta de Mônaco!

O combate estendeu-se por todas as ruas principais de Mônaco até que, finalmente, Adayrton desarma o francês, encostando a ponta da espada em seu peito.
- Tem certeza, Alain?

Adayrton guarda a espada, surpreendendo seu maior rival.

- Você não vai me matar? O que está esperando?

- Você se lembra daquele estranho homem que o defendeu da multidão?

- Fiquei com tanto medo que pensei que estivesse vendo coisas! Então era você o tempo todo! Por que se importou comigo se eu nunca simpatizei com você?

- Inimigo ou não, não gosto de ver ninguém sofrendo. E eu vim aqui para curá-lo e não para matá-lo, mas sabe, Alain, tem uma coisa que eu queria fazer com você que me arrependi muito de não ter feito em vida.

- Ah, é? O que? – perguntou o francês curioso.

- Isso, seu sacana! – Adayrton dá um soco na cara de Alain e este cai desmaiado. Em seguida, ele diz:

- Perdoe-me, Senhor, mas não pude resistir!

O Criador responde:

- Você não tem que me pedir perdão, Adayrton! Esse aí já merecia há muito tempo!

Nikolaus e seus seguidores ficaram admirados com o que viram, aproximando-se de Adayrton.

- Os mortos não aparecem para os vivos a não ser através de magia! – falou Nikolaus.

- Foi Lady Alison quem invocou o meu espírito. Ela queria que eu quebrasse a arrogância de Alain. Sua filha adotiva foi apenas um instrumento de Deus! Minha missão terminou aqui. Só você e seus seguidores se lembrarão do “soco celestial” e de tudo o que aconteceu hoje. Quando ele voltar a si, se esquecerá de tudo o que aconteceu e será um novo homem, não criando mais caso com ninguém e deixando o egoísmo de lado.

Tendo falado isso, Adayrton desapareceu repentinamente. Alison, além de se comunicar com os mortos, também podia controlar o clima e tornou-se mestra em disfarces.

- Vamos embora daqui! – ordenou Nikolaus.

Alguns minutos depois, na casa de Nikolaus, Alain voltou a si.

- O que aconteceu comigo?

Nigel, afoito como sempre, antecipou-se a Nikolaus.

- Você tropeçou da escadaria e bateu com a cabeça.

- É. Por sorte, não foi nada de grave! – falou Rosenberg.

NA MANHÃ SEGUINTE ...

Um grupo de salteadores ameaçava invadir a casa de Nikolaus. Seus seguidores estavam lutando contra eles, até que o inesperado acontece. Quando o líder deles atira uma faca na direção de Nigel, Alain aparece na frente do inglês segurando-a firme e dizendo-lhe:

- Sossegue, “Leão de Ouro”!

O grupo foge amedrontado. Nigel diz para si mesmo: “Será que o Alain mudou mesmo ou isso é o “efeito Adayrton”?” Nikolaus diz a seus seguidores em particular:

- Só um Iluminado pode fazer isso! Agora, Alain virou símbolo de sorte!

Numa certa ocasião, na ausência do francês, Nikolaus e seus seguidores erguem o polegar para cima e exclamam:

- Valeu, Adayrton!

XXXFIMXXX

OBS: Este conto foi escrito em 1999, cinco anos após a morte trágica de Ayrton Senna.